Carta Pastoral "Cor Diaconale Et Humile" sobre o espírito de serviço, a humildade e a comunhão eclesial


 

DIOECESIS LEIRIENSIS-FATIMENSIS


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DOM MATHEUS SILVA
POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA 
TITULI DI HIPPO REGIUS
PREFEITO DO SUPREMO TRIBUNAL DA ASSINATURA APOSTÓLICA 
PREFEITO DO DICÁSTERIO PARA OS SEMINÁRIOS
BISPO DIOCESANO DA DIOCESE DE LEIRIA-FÁTIMA

Carta pastoral Sobre o espírito de serviço, a humildade e a comunhão eclesial

Aos Reverendíssimos Presbíteros e Diáconos, aos Religiosos e Religiosas, aos Seminaristas, aos membros das Associações e Movimentos Eclesiais e a todos os Fiéis Leigos da Diocese de Leiria-Fátima, graça, misericórdia e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

SAUDAÇÃO PASTORAL
Amados filhos e filhas no Senhor,
“Eu estou no meio de vós como aquele que serve”
(Lc 22,27)

Estas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo constituem o fundamento da presente Carta Pastoral, que desejo confiar à nossa Igreja Particular de Leiria-Fátima.
Ao escrever-vos, faço-o consciente do dever que recebi pelo ministério episcopal: ensinar, santificar e governar a porção do Povo de Deus que me foi confiada, sempre em comunhão hierárquica com o Romano Pontífice e com o Colégio dos Bispos.
O Concílio Vaticano II recorda que o encargo confiado aos pastores da Igreja é verdadeiramente um serviço, chamado significativamente de diaconia ou ministério, e que os Bispos devem exercer sua autoridade para edificar o rebanho na verdade e na santidade.
Por isso, não desejo falar-vos simplesmente sobre organização pastoral ou sobre o cumprimento de determinadas funções.
Desejo falar-vos do coração com que devemos servir.
Um coração que não procura dominar, mas servir.
Um coração que não procura aparecer, mas edificar.
Um coração que não procura reconhecimento, mas fidelidade.
Um coração que sabe calar quando o silêncio é necessário, falar quando a verdade exige, corrigir quando o bem do irmão pede e perdoar quando a caridade é ferida.

É a este coração que damos o nome de:
Cor Diaconale et Humile.
Coração Diaconal e Humilde.


I — CRISTO, NOSSO MODELO DE SERVIÇO

Toda a vida cristã deve ter Cristo como medida.
Ele, que é Senhor e Mestre, não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida.
Na Última Ceia, não apresentou aos Apóstolos um modelo de poder segundo os critérios do mundo. Colocou-se entre eles como aquele que serve.
O Papa Francisco, meditando sobre o lava-pés, recordou precisamente esta lógica do Evangelho: a fraternidade cristã é uma fraternidade de serviço, não de ambição; e o Bispo, embora possua uma verdadeira autoridade pastoral, deve ser também o maior servidor.
Esta verdade deve penetrar profundamente nossa vida diocesana.
Na Igreja, autoridade sem serviço transforma-se em domínio.
Conhecimento sem humildade transforma-se em soberba.
Ministério sem caridade transforma-se em mera função.
Responsabilidade sem espírito de sacrifício transforma-se em busca de prestígio.
Mas quando o ministério nasce de Cristo, toda autoridade se torna serviço.

II — O CORAÇÃO DIACONAL

Ter um coração diaconal significa possuir disposição interior para colocar-se a serviço do outro.
É saber dizer:
“Eis-me aqui.”
É estar disposto a ajudar sem perguntar primeiro se será reconhecido.
É aceitar uma tarefa humilde sem considerar-se diminuído.
É alegrar-se com o bem realizado por outro.
É colaborar sem precisar controlar.
É saber permanecer no silêncio quando outro deve ocupar o primeiro lugar.
É compreender que, na Igreja, não fomos chamados para construir nosso próprio nome, mas para edificar o Nome de Cristo.
São João Batista oferece-nos uma das expressões mais perfeitas deste espírito:
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”
(Jo 3,30)
Eis a verdadeira espiritualidade do servidor.
O servidor não precisa ser o centro.
Cristo é o centro.

III — A HUMILDADE COMO FUNDAMENTO DO SERVIÇO

A humildade cristã não significa desprezar os dons recebidos.
Ao contrário: significa reconhecer que todo dom é recebido de Deus e deve retornar a Ele por meio do serviço.
São Paulo pergunta:
“Que tens tu que não tenhas recebido?”
(1Cor 4,7)
Se recebemos inteligência, sirvamos.
Se recebemos capacidade de liderança, sirvamos.
Se recebemos conhecimento, ensinemos.
Se recebemos dons artísticos, coloquemo-los a serviço da liturgia e da evangelização.
Se recebemos autoridade, exerçamo-la para o bem das almas.
Se recebemos uma função humilde, realizemo-la com dignidade.
O Papa Francisco recordou que a missão da Igreja só pode ser verdadeiramente realizada com humildade, seguindo Cristo, que nos chama a aprender d'Ele a mansidão e a humildade de coração.
Por isso, não devemos perguntar:
“Qual lugar ocuparei?”
Mas:
“Onde Cristo precisa que eu sirva?”

IV — O MINISTÉRIO EPISCOPAL COMO SERVIÇO

Como vosso Bispo, não posso pedir aos outros aquilo que eu mesmo não esteja disposto a viver.
O episcopado não é para mim uma dignidade a ser contemplada, mas uma responsabilidade diante de Deus.
A Igreja ensina que, pela consagração episcopal, são confiados ao Bispo os poderes de santificar, ensinar e governar; porém, o exercício desses poderes acontece em comunhão hierárquica e deve ordenar-se à edificação do rebanho.
Por isso, desejo exercer meu ministério com autoridade quando a autoridade for necessária, mas sem esquecer jamais que a autoridade episcopal é pastoral.
Quando precisar ensinar, ensinarei.
Quando precisar corrigir, corrigirei.
Quando precisar proteger a unidade da Igreja, protegê-la-ei.
Quando precisar defender a dignidade de um irmão injustamente atacado, não permanecerei indiferente.
Mas procurarei fazê-lo sempre com aquela caridade pastoral que deve distinguir o pastor de Cristo.
O Bispo não é proprietário do rebanho.
É seu servidor e pastor.

V — O PRESBITÉRIO: FRATERNIDADE NO SERVIÇO

Aos meus queridos irmãos sacerdotes, dirijo uma palavra particular de afeto e de responsabilidade.
O presbitério não é apenas uma estrutura administrativa.
É uma comunhão sacramental e pastoral.
Os presbíteros, como cooperadores da ordem episcopal, são chamados a trabalhar com o Bispo e entre si para a edificação de todo o Corpo de Cristo. O Concílio Vaticano II destaca também a íntima fraternidade que deve existir entre os sacerdotes, manifestada no auxílio mútuo espiritual, pastoral e pessoal.
Por isso, peço-vos:
Guardai a fraternidade sacerdotal.
Não permitais que diferenças de opinião se transformem em rivalidades.
Não permitais que uma preferência pastoral se transforme em facção.
Não permitais que uma dificuldade com um irmão seja transformada em murmuração.
Não permitais que uma crítica legítima se transforme em ataque pessoal.
Se houver algo a dizer ao Bispo, dizei ao Bispo.
Se houver algo a corrigir em um irmão, procurai o irmão.
Se houver uma questão grave, recorrei aos meios legítimos da Igreja.
Uma Igreja madura não é aquela em que não existem problemas.
É aquela que sabe enfrentar os problemas sem destruir a comunhão.

VI — A PALAVRA QUE CONSTRÓI

A Sagrada Escritura é severa ao tratar do poder da língua.
São Tiago nos recorda que um pequeno membro pode causar grandes danos (cf. Tg 3,5-6).
Por isso, cada membro da Igreja deve examinar não apenas aquilo que faz, mas também aquilo que diz.
Nossa palavra deve ser capaz de:
consolar o aflito;
corrigir o que está errado;
defender a verdade;
encorajar aquele que desanima;
reconciliar os que estão divididos;
edificar a comunidade.
Não devemos usar a palavra para destruir aquilo que outro levou meses ou anos para construir.

VII — A MURMURAÇÃO, A FOFOCA E O DANO À COMUNHÃO

Desejo falar-vos agora com especial firmeza sobre um mal que pode entrar silenciosamente nas comunidades: a murmuração.
Não devemos considerá-la uma coisa pequena.
O Papa Francisco advertiu repetidamente que a fofoca fere a Igreja, prejudica as comunidades e pode tornar-se instrumento de divisão. Em uma audiência, chegou a exortar os cristãos a “morder a língua” antes de se entregarem à fofoca.
Em outra intervenção, advertiu contra aquilo que chamou de uma espécie de condenação cotidiana produzida pelos rumores: alguém ouve uma afirmação, acrescenta outra, e pouco a pouco cria-se uma reputação que pode destruir uma pessoa.
Irmãos e filhos caríssimos:
Não façais da Igreja um lugar de julgamentos feitos pelas costas.
Não espalheis aquilo que não podeis comprovar.
Não transformais suspeitas em fatos.
Não atribuais intenções que não conheceis.
Não repitais acusações apenas porque alguém vos disse que “ouviu falar”.
Não façais da conversa privada um tribunal público.
E, sobretudo:
não digais pelas costas aquilo que não teríeis coragem de dizer diante da pessoa.

VIII — NÃO CONFUNDIR CORREÇÃO COM FOFOCA

É necessário fazer uma distinção.
A Igreja não proíbe a correção.
Pelo contrário, a correção fraterna é uma obra de caridade.
Nosso Senhor ensina:
“Se teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós.”
(Mt 18,15)
A correção cristã procura restaurar.
A fofoca procura diminuir.
A correção procura o bem do irmão.
A fofoca procura alimentar a opinião contra o irmão.
A correção é dirigida à pessoa que precisa ouvir.
A fofoca fala da pessoa justamente quando ela não está presente.
Por isso, não chamemos de zelo aquilo que nasce do ressentimento.
Não chamemos de coragem aquilo que é crueldade.
Não chamemos de franqueza aquilo que é falta de caridade.
A verdade cristã nunca deve ser separada da caridade.

IX — QUANDO A MURMURAÇÃO SE TORNA DIVISÃO

Existe um momento em que a murmuração deixa de ser simplesmente uma falta contra a caridade individual e começa a ferir a própria comunhão eclesial.
Quando comentários passam a criar grupos.
Quando suspeitas passam a alimentar desconfiança.
Quando críticas passam a produzir oposição sistemática.
Quando pessoas começam a ser colocadas umas contra as outras.
Quando a comunidade passa a funcionar segundo “lados”.
Nesse momento, não estamos diante de simples diferenças pessoais.
A própria comunhão está sendo ferida.
O Papa Francisco advertiu que a divisão, a rivalidade, a maledicência e a “fofoca” tornam-se obstáculos ao testemunho cristão; a unidade dos discípulos é parte do próprio testemunho da Igreja diante do mundo.

Por isso, digo à nossa Diocese:

Não permitamos que a cultura da divisão encontre lugar entre nós.

X — O ESPÍRITO SANTO E A UNIDADE

A unidade da Igreja não é fruto simplesmente de nossas capacidades humanas.
É obra do Espírito Santo.
É Ele quem reúne na diversidade.
É Ele quem cria comunhão.
É Ele quem transforma pessoas diferentes em um só Corpo.
Por isso, quando deliberadamente nos tornamos instrumentos de divisão, ferimos aquilo que o Espírito deseja realizar na Igreja.
Em sua homilia da Missa Crismal de 2023, o Papa Francisco chamou atenção precisamente para isso: o Espírito Santo é comunhão e harmonia, e a fofoca, a insinuação e a formação de grupos podem tornar-se instrumentos de divisão dentro do presbitério.

Por isso, irmãos:

não sejamos instrumentos de divisão.
Sejamos instrumentos de comunhão.

XI — A HUMILDADE DIANTE DA CORREÇÃO

Um coração verdadeiramente humilde também sabe ser corrigido.

Nenhum de nós é perfeito.

Nem o Bispo.

Nem o sacerdote.

Nem o diácono.

Nem o religioso.

Nem o seminarista.

Nem o leigo.

Todos precisamos de conversão.
A diferença está na maneira como recebemos a correção.
O soberbo imediatamente se defende.
O humilde pergunta:
“Senhor, o que desejais ensinar-me por meio desta situação?”
Isso não significa aceitar acusações injustas ou abandonar a verdade.
Significa possuir liberdade interior suficiente para reconhecer que também podemos errar.
A humildade não destrói a autoridade.
Purifica a autoridade.

XII — A AUTORIDADE COMO DIACONIA

A Igreja não compreende a autoridade como simples poder humano.
O Concílio Vaticano II recorda que os Bispos governam as Igrejas particulares confiadas a eles como vigários de Cristo e exercem sua autoridade para edificar o rebanho na verdade e na santidade, lembrando que aquele que preside deve fazê-lo como aquele que serve.
Esta verdade deve alcançar toda a estrutura de nossa Diocese.

Quem coordena, sirva.

Quem preside, sirva.

Quem ensina, sirva.

Quem administra, sirva.

Quem possui autoridade, sirva.

Quem recebeu uma missão, sirva.

Quanto maior a responsabilidade, maior deve ser o espírito de serviço.

XIII — SERVIR SEM SER VISTO

Há um tipo de serviço que é particularmente precioso diante de Deus: aquele que não procura ser visto.
Há pessoas que trabalham silenciosamente.
Que chegam antes de todos.
Que saem depois.
Que resolvem problemas sem receber reconhecimento.
Que servem sem publicar.
Que ajudam sem anunciar.
Que rezam sem que ninguém saiba.
Que sustentam uma obra sem aparecer.
Essas pessoas compreendem uma verdade profundamente evangélica:
Deus vê aquilo que os homens não veem.
Não precisamos transformar cada serviço em vitrine.
Não precisamos transformar cada obra em autopromoção.
Não precisamos estar sempre no centro.
Às vezes, o maior serviço que podemos prestar à Igreja é justamente permitir que outro irmão brilhe.

XIV — O SERVIÇO E A MISSÃO EVANGELIZADORA

Nossa Diocese possui uma missão maior que qualquer disputa pessoal.
Temos almas para evangelizar.
Crianças para formar.
Jovens para acompanhar.
Famílias para fortalecer.
Doentes para visitar.
Pobres para socorrer.
Sacerdotes para apoiar.
Vocações para cultivar.
Pessoas afastadas para acolher.
E um mundo que precisa ouvir novamente o Evangelho.
Não podemos desperdiçar nossas forças destruindo uns aos outros.
Há muito trabalho na vinha do Senhor.
O serviço deve conduzir-nos para fora de nós mesmos.

XV — AOS FIÉIS LEIGOS

Aos nossos queridos fiéis leigos, recordo que a missão da Igreja também passa por vós.
Vossos dons são necessários.
Vossa colaboração é necessária.
Vossa presença é necessária.
Mas peço-vos que tudo seja realizado em comunhão com a Igreja e com os pastores legitimamente constituídos.
Não busqueis poder dentro da comunidade.
Buscai serviço.
Não busqueis reconhecimento.
Buscai fidelidade.
Não procureis formar grupos em torno de personalidades.
Formai comunidades em torno de Cristo.
A Igreja é maior que qualquer pastoral, movimento, associação ou pessoa.
Cristo é o centro.

XVI — AOS SEMINARISTAS E AOS JOVENS QUE DISCERNEM A VOCAÇÃO

Aos nossos seminaristas e àqueles que discernem uma possível vocação sacerdotal, quero deixar uma advertência particularmente importante:
Não procureis o sacerdócio para ocupar um lugar.
Procurai-o para entregar a vida.
Não procureis o altar para serdes vistos.
Procurai-o para oferecer-vos.
Não procureis a autoridade para mandar.
Procurai a configuração com Cristo Servo.
O sacerdócio não é carreira.
Não é instrumento de prestígio.
Não é caminho de autopromoção.
É participação no sacerdócio de Cristo e entrega de toda a existência ao serviço de Deus e de seu Povo.

XVII — UM EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA NOSSA DIOCESE

Peço que cada um de nós faça, diante de Deus, algumas perguntas:
Tenho servido ou tenho procurado ser servido?
Tenho construído comunhão ou alimentado divisão?
Tenho corrigido meu irmão diretamente ou falado dele pelas costas?
Tenho recebido correções com humildade?
Tenho reconhecido o bem realizado pelos outros?
Tenho procurado o bem da Igreja ou primeiramente meus próprios interesses?
Quando sirvo, procuro Cristo ou procuro reconhecimento?
Minha presença na comunidade traz paz ou tensão?
Minhas palavras aproximam as pessoas ou as afastam?
Estas perguntas não são destinadas apenas aos outros.
São destinadas a mim.
São destinadas a todos nós.

XVIII — UM COMPROMISSO DIOCESANO

Por isso, como vosso Bispo e Pastor, proponho à nossa Igreja Particular um compromisso simples e concreto:
Não alimentar fofocas.
Não espalhar rumores.
Não julgar sem conhecer os fatos.
Não atribuir intenções sem fundamento.
Não transformar divergências em rivalidades.
Não buscar prestígio por meio do ministério.
Não utilizar a autoridade para a própria exaltação.
Mas, positivamente:
Falar diretamente.
Corrigir fraternalmente.
Escutar com humildade.
Servir generosamente.
Perdoar sinceramente.
Proteger a reputação do irmão.
Trabalhar pela unidade.
Colocar Cristo acima de nossas preferências.

XIX — AO CLERO, AOS SERVIDORES E A TODO O POVO DE DEUS

Peço especialmente àqueles que exercem qualquer responsabilidade em nossa Diocese que guardem esta Carta no coração.
Se sois coordenadores, coordenai servindo.
Se sois responsáveis por uma pastoral, servi à pastoral e não a vós mesmos.
Se sois sacerdotes, sede pastores.
Se sois diáconos, sede servidores.
Se sois religiosos, sede testemunhas.
Se sois seminaristas, aprendei a servir.
Se sois leigos, colocai vossos dons à disposição da Igreja.
E se algum dia receberdes uma missão que não esperáveis, uma tarefa que parece pequena ou uma responsabilidade que não vos traz reconhecimento, lembrai-vos:
O valor do serviço não está na grandeza da função, mas no amor com que é realizado.

XX — CONCLUSÃO: COR DIACONALE ET HUMILE

Amados filhos e filhas,
Não vos escrevo estas palavras como alguém que já alcançou a perfeição.
Também eu preciso crescer.
Também eu preciso aprender a servir.
Também eu preciso guardar minha língua.
Também eu preciso acolher correções.
Também eu preciso pedir perdão.
Também eu preciso renovar diariamente minha entrega a Cristo.
Por isso, esta Carta Pastoral não é apenas uma exortação aos outros.
É também uma exortação a mim mesmo.
Diante de Cristo, desejo pedir a graça de possuir um coração verdadeiramente diaconal e humilde.

Um coração que não busque dominar.
Um coração que não se alimente de vaidade.
Um coração que não encontre prazer na queda do irmão.
Um coração que saiba reconhecer o bem.
Um coração que saiba perdoar.
Um coração que saiba corrigir.
Um coração que saiba calar.
Um coração que saiba servir.

Um coração que possa dizer com São João Batista:
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”
Confio este propósito à Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que respondeu ao Senhor com humildade e disponibilidade:
“Eis a serva do Senhor.”
Que Ela nos ensine a dizer também:
“Eis-me aqui.”

Que São José, homem justo e silencioso, nos ensine a servir sem buscar aplausos.
Que São Pedro nos conserve firmes na comunhão com o Sucessor de Pedro.
Que os Santos Pastores da Igreja nos ensinem a governar servindo.
E que o Espírito Santo, princípio de toda unidade e comunhão, preserve nossa Diocese de toda divisão, rivalidade, murmuração e espírito de facção.

Quero uma Diocese na qual o Bispo sirva.
Quero um presbitério no qual os sacerdotes sejam irmãos.
Quero diáconos verdadeiramente servidores.
Quero seminaristas formados na humildade.
Quero religiosos e religiosas que testemunhem a entrega.
Quero leigos comprometidos com a missão.
Quero comunidades nas quais ninguém precise destruir o outro para ser reconhecido.
Quero uma Igreja na qual Cristo seja maior que nossas personalidades, a comunhão maior que nossas preferências e a caridade maior que nossas diferenças.
E, sobretudo, quero que nossa Diocese possa olhar para o mundo e testemunhar:

Eis uma Igreja que serve.
Eis uma Igreja que ama.
Eis uma Igreja que permanece unida.
Eis uma Igreja cujo coração procura ser semelhante ao Coração de Cristo.

Por isso, sob o olhar materno de Nossa Senhora de Fátima, entrego esta Carta Pastoral a toda a Diocese.

Cor diaconale et humile.
Um coração diaconal e humilde.

Que este não seja apenas o título de uma Carta.
Que seja o espírito de nossa Igreja Particular.
Concedo a todos, de coração, minha Bênção Pastoral, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.


Sem mais me despeço-me

Dado e passado em Fátima Portugal, na Cúria Diocesana de Leiria-Fátima sob o pontificado de Inocêncio Pp.  II, ao Décimo quarto dia do mês de Outubro do ano de dois mil e vinte e Seis.


In corde Christi,



✠ Matheus Silva 
Tituli di Hippo Regius
Bispo Diocesano 





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