DIOECESIS LEIRIENSIS-FATIMENSIS
Admonição Canônica N°001/2026
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DOM ÍTALO SILVAPOR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA TITULI DE AQUAE IN NUMIDIABISPO DIOCESANO DA DIOCESE DE LEIRIA-FÁTIMA
Reverendíssimo Padre Flávio Henrique,
Saudação e bênção no Senhor.
Considerando os fatos recentemente verificados e após prudente escuta de membros do clero, dirijo-lhe a presente advertência canônica, em espírito de caridade pastoral e responsabilidade eclesial, conforme prevê o Código de Direito Canônico, especialmente no que se refere ao dever dos clérigos de promover a comunhão e evitar escândalo ou divisão no seio da Igreja (cf. cânn. 273, 275 §1, 287 §1).
Chegaram ao conhecimento desta autoridade relatos consistentes de que Vossa Reverência tem, reiteradamente:
Proferido comentários que fomentam discórdia entre membros do clero;
Manifestado desrespeito público ou privado a irmãos presbíteros;
Divulgado ou comentado conversas internas impróprias à nossa realidade eclesial, as quais exigem discrição e prudência pastoral.
Tais atitudes, ainda que eventualmente motivadas por inquietações pessoais ou dificuldades de relacionamento, não condizem com a dignidade do ministério ordenado nem com a espiritualidade de comunhão que deve caracterizar o presbitério. O sacerdote é chamado a ser instrumento de unidade, nunca de divisão; construtor de pontes, jamais fomentador de rupturas.
Recordo-lhe que o presbítero, unido ao seu Bispo e aos irmãos no sacerdócio, deve cultivar:
Discrição e reserva nas questões internas da Igreja, evitando comentários que possam gerar interpretações equivocadas ou escândalo;
Caridade fraterna, corrigindo em particular e jamais expondo situações que exigem tratamento interno;
Obediência e comunhão hierárquica, preservando a unidade do presbitério;
Postura edificante, especialmente diante de diáconos, seminaristas e fiéis, que têm no sacerdote referência de maturidade e equilíbrio.
Exorto-o, pois, a um sério exame de consciência diante do Senhor, recordando que palavras impensadas podem ferir profundamente a comunhão e comprometer a credibilidade do ministério. Recomendo-lhe:
Que evite qualquer comentário sobre assuntos internos que não lhe competem diretamente;
Que, havendo dificuldades com algum irmão presbítero, procure-o pessoalmente para diálogo fraterno;
Que, se necessário, busque direção espiritual ou acompanhamento para amadurecimento humano e sacerdotal;
Que renove seu compromisso com a espiritualidade da unidade, especialmente na celebração diária da Eucaristia.
Esta advertência tem caráter medicinal e preventivo, visando à correção fraterna e à restauração plena da comunhão. Confio que Vossa Reverência acolherá esta exortação com humildade e espírito de obediência, evitando que situações semelhantes voltem a ocorrer. Caso persista tal conduta, poderão ser consideradas medidas disciplinares previstas na legislação canônica. Que o Senhor, Bom Pastor, o ilumine e fortaleça no exercício do ministério, para que sua palavra seja sempre fonte de edificação, e não de divisão.



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